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segunda-feira, 22 de abril de 2013

A Walk to Remember

Confesso que nunca assistir  o filme “Um amor para recordar”, apesar de toda a historia me ser contada pela minha irmã. Mas, outro dia desses baixei o livro do Nicholas Sparks “A Walk to Remember” em português e comecei a ler e é inexplicavelmente perfeito. Foi no livro que foi baseado o filme, e eu não poderia deixar de contemplar meu blog com alguns trechos dessa obra, então vou postar alguns trechos aqui, aqueles que mais me apaixonei, sorri e chorei.


“- Nunca te perguntas por que é que as coisas têm de ser da maneira como são?
Fiz que sim com a cabeça, hesitante.
- Tenho pensado muito nisso ultimamente.
Mais até do que o costume? Quis perguntar, mas não o fiz. Percebi que ela tinha mais para dizer e fiquei calado.
- Eu sei que Deus tem um plano para todos nós, mas, às vezes, não consigo perceber a mensagem. Isso nunca te acontece?
Disse aquilo como se fosse algo em que eu pensasse o tempo todo.
- Bem - disse, tentando fingir que pensava no assunto - não creio que tenhamos sempre de a compreender. Acho que, às vezes, precisamos apenas de ter fé.”

“Alguns minutos mais tarde, quando estendi o braço ao longo do assento, consegui finalmente segurar na mão dela, e para completar uma noite perfeita, ela não a retirou.”


“Num momento estava ali diante dela, esperando dirigir-me para o canto da varanda e, no momento seguinte, não estava. Em vez de me encaminhar para as cadeiras, avancei um passo para mais perto dela e dei por mim a pegar-lhe na mão. Tomei-a na minha e fixei-a com o olhar, aproximando-me só mais um pouco. Ela não recuou propriamente, mas os seus olhos dilataram-se, apenas um pouco e, durante um pequeníssimo, intermitente instante, pensei que tivesse feito mal e ponderei se deveria ir mais além. Parei e sorri, inclinando a cabeça para o lado e, logo a seguir, vi que ela tinha fechado os olhos e estava também a inclinar a cabeça e que os nossos rostos se estavam a aproximar um do outro. Não demorou assim tanto tempo e, certamente, não foi o beijo que se vê nos cinemas hoje em dia, mas foi maravilhoso à sua maneira, e tudo o que consigo recordar daquele momento foi que, quando os nossos lábios se tocaram pela primeira vez, eu sabia que a recordação iria durar para sempre.”

“- Como é que sabes que era amor? - perguntou-me.
Observei a brisa a levantar-lhe levemente os cabelos, e sabia que não era altura de fingir ser uma coisa que na verdade não era.
- Bem - afirmei num tom sério -, sabe-se que é amor quando tudo o que nos apetece fazer é estar com a outra pessoa, e sabemos mais ou menos que a outra pessoa sente o mesmo.
Jamie pensou na minha resposta antes de sorrir vagamente.
- Estou a ver - disse ela baixinho. Esperei que acrescentasse mais alguma coisa, mas não o fez e cheguei subitamente a outra conclusão.
Jamie podia não ter muita experiência com rapazes, mas, para vos dizer a verdade, parecia estar a manipular muito bem os meus sentimentos.”

“- Não consigo pensar noutra coisa senão nela, mãe - confessei. - Quer dizer, eu sei que ela gosta de mim, mas não sei se sente o mesmo que eu sinto.
- Ela é assim tão importante para ti? - perguntou.
- É - respondi baixinho.
- Bem, o que é que tentaste até agora?
- Que quer dizer?
A minha mãe sorriu.
- Quero dizer que as mulheres, mesmo a Jamie, gostam que as façam sentir-se especiais.
Pensei nisso durante um momento, um pouco confuso. Não era o que andava a tentar fazer?
- Bem, tenho ido a casa dela todos os dias - disse eu.
A minha mãe pousou-me a mão no joelho. Apesar de não ser uma grande dona de casa e, de por vezes, me provocar, como já referi, era mesmo uma senhora amorosa.
- Ir a casa dela é bom, mas não é a coisa mais romântica do mundo. Devias fazer alguma coisa que lhe mostrasse realmente o que sentes por ela.”

“Estava apaixonado, e a sensação era ainda mais profunda do que alguma vez eu imaginara ser possível.”


“- As pessoas acham que eu sou estranha, não acham? - perguntou de novo.
A minha respiração saía em pequenas baforadas.
- Sim - respondi por fim. Custou-me ter de dizê-lo. - Porquê? Parecia quase desanimada.
Pensei no assunto.
- As pessoas têm razões diferentes - disse vagamente, esforçando-me para não ir mais longe.
- Mas porquê, exatamente? É por causa do meu pai? Ou é porque eu tento ser boa para as pessoas?
Não queria estar ali.
- Suponho que sim - foi tudo o que consegui responder. Senti-me um pouco agoniado.
Jamie parecia desapontada e caminhamos um pouco mais em silêncio.
- Também pensas que eu sou estranha? - perguntou-me.
A maneira como o disse magoou-me mais do que eu imaginara possível. Estávamos quase a chegar a casa dela quando lhe cortei o passo e a abracei com força. Beijei-a e, quando nos separamos, ela olhou para o chão.
Coloquei o meu dedo por baixo do queixo dela, levantando-lhe a cabeça e fazendo com que olhasse de novo para mim.
- Tu és uma pessoa maravilhosa, Jamie. És linda, és generosa, és delicada... És tudo o que eu gostaria de ser. Se os outros não gostam de ti, ou pensam que és estranha, o problema é deles.”

“- Amo-te, Jamie - disse-lhe. - És a melhor coisa que já me aconteceu.
Era a primeira vez que dizia aquelas palavras a alguém. Quando imaginava pronunciá-las pensava sempre que iria ser difícil, mas não foi. Nunca antes tivera tanta certeza de qualquer coisa.”

“- Não podes estar apaixonado por mim, Landon - disse ela de olhos vermelhos e inchados. - Podemos ser amigos, podemos encontrar-nos... Mas não podes amar-me.
- Por que não? - gritei roucamente, não percebendo nada daquilo.
- Porque - disse ela, por fim, baixinho - estou muito doente, Landon.”

“Um sorriso triste atravessou-lhe o rosto e soube imediatamente o que ela estava a tentar dizer-me. Os seus olhos nunca deixaram os meus quando, finalmente, disse as palavras que me entorpeceram a alma.
- Estou a morrer, Landon.”

“Jamie Sullivan tinha leucemia...
Jamie, a querida Jamie, estava a morrer...
A minha Jamie...
- Não, não - murmurei-lhe - tem de haver algum engano... Mas não havia e, quando ela me falou de novo, o meu mundo esvaziou-se. A minha cabeça começou a andar à roda, e agarrei-me a ela com força para não perder o equilíbrio. Na rua, vi um homem e uma mulher caminhando na nossa direção, de cabeça baixa e as mãos nos chapéus para evitar que o vento os levasse. Um cão atravessou rapidamente a rua e parou para farejar os arbustos. Um vizinho em frente estava em cima de um escadote, desmontando as suas luzes de Natal. Cenas normais da vida de todos os dias, coisas em que nunca teria reparado antes, subitamente fazendo com que me sentisse irritado. Fechei os olhos, querendo que tudo aquilo desaparecesse.”


“Deus escuta as nossas preces.
Assim, naquela noite, abri a Bíblia que Jamie me oferecera no Natal e comecei a ler. Já ouvira ler a Bíblia na catequese de domingo ou na igreja, mas para ser franco, apenas me lembrava dos pontos altos - as sete pragas ordenadas por Deus para que os Israelitas pudessem sair do Egito, Jonas a ser engolido pela baleia, Jesus caminhando sobre a água ou a ressuscitar Lázaro de entre os mortos. Também havia outros pontos altos. Sabia que praticamente em cada capítulo da Bíblia Deus fazia alguma coisa de espetacular, mas não os conhecia todos. Como cristãos, aprendíamos muito os ensinamentos do Novo Testamento, e não sabia absolutamente nada de livros como o de Josué, ou de Rute, ou de Joel. Na primeira noite, li o Gênesis todo, na segunda noite li o Êxodo. A seguir veio o Levítico, seguido dos Números e depois do Deuteronômio. Algumas partes lia mais devagar, especialmente quando eram explicadas as leis todas. No entanto, não era capaz de pousar o livro. Era uma compulsão que eu não compreendia inteiramente.
Era já tarde uma noite, e já estava cansado, quando, por fim, cheguei aos Salmos. Por um motivo qualquer, sabia que era aquilo que procurava. Já todos ouviram o vigésimo terceiro salmo, que começa, "O Senhor é o meu pastor, nada me falta", mas queria ler os outros, uma vez que nenhum deles devia ser mais importante
que os outros. Uma hora depois encontrei uma secção sublinhada que supus ter sido anotada por Jamie, porque significaria algo de importante para ela. Dizia assim:

A Vós clamo, Senhor.'
Ó meu rochedo não sejais surdo à minha voz,
Não suceda que, não me ouvindo,
Eu fique semelhante àqueles que descem ao abismo.
Ouvi a voz da minha súplica, quando clamo por Vós,
Quando levanto as minhas mãos para o Vosso santo templo.
 Fechei a Bíblia com lágrimas nos olhos, incapaz de terminar.
De alguma maneira, sabia que ela a sublinhara para mim.”

“Amo-te, Jamie - declarei de novo, mas desta vez ela não teve medo. Em vez disso, os nossos olhos encontraram-se por cima da mesa, e vi os dela começarem a brilhar. Suspirou e desviou o olhar, passando a mão pelo cabelo. Depois voltou-se de novo para mim. Beijei-lhe a mão, sorrindo também.
- Também te amo - murmurou ela finalmente.
Eram as palavras que eu havia rezado por ouvir.”

“Disse-me que, se alguma vez tivesse oportunidade, queria que fosse essa a passagem a ser lida no seu casamento. Era isto o que dizia:
 O amor é paciente, o amor é benigno, não é invejoso; o amor não se ufana, não se ensoberbece, não é inconveniente, não procura o seu interesse, não se irrita, não suspeita o mal; não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
 Jamie era a verdadeira essência dessa descrição.”



“Jamie, muito agasalhada, encontrava-se de pé a meu lado no extremo do pontão Jron Steamer vendo cair aquela perfeita noite do sul. Apontei para o horizonte e disse-lhe para esperar. Reparei nas nossas respirações, a dela mais rápida do que a minha. Tive de apoiar Jamie enquanto ali permanecíamos - parecia mais leve do que as folhas de uma árvore caídas no Outono - mas sabia que ia valer a pena.
Finalmente a Lua, com as suas crateras, resplandecente, iniciou a sua aparente ascensão a partir do mar, projetando um prisma de luz através das águas que escureciam devagar, dividindo-se em mil partes distintas, cada uma mais bonita do que a outra. Exatamente ao mesmo tempo, o Sol encontrava-se com o horizonte na direção oposta, pintando o céu de vermelho, cor de laranja e amarelo, como se o Paraíso acima tivesse subitamente aberto as suas portas e deixado toda aquela beleza evadir-se dos seus confins divinos. O oceano transformava-se em prata dourada à medida que as cores volúveis se refletiam nele, as águas encrespando-se e cintilando com a mudança de luz, uma visão gloriosa, quase como no principio do mundo.
O Sol continuou a cair, projetando o seu brilho tão longe quanto a vista podia alcançar, antes de por fim, lentamente, desaparecer sob as ondas. A Lua continuava a sua vagarosa escalada, tremeluzindo em mil diferentes tons de amarelo, cada vez mais pálidos, antes de finalmente se tornar da cor das estrelas.
Jamie observou tudo isto em silêncio, o meu braço apoiando-a com firmeza, a sua respiração ofegante e fraca. Quando o céu, por fim, escureceu e as primeiras luzes cintilantes começaram a aparecer no distante firmamento do sul, tomei-a nos braços. Beijei-lhe delicadamente ambas as faces e depois, por fim, os lábios.
- É isto - disse eu - exatamente o que sinto por ti.”

“- E quando te pedi para ires comigo ao baile, fizeste-me prometer não me apaixonar por ti, mas sabias que eu ia apaixonar-me, não sabias?
Jamie tinha um brilho travesso nos olhos.
- Sim.
- Como é que sabias?
Encolheu os ombros sem responder, e permanecemos alguns instantes a observar a chuva batendo contra as vidraças.
- Quando te dizia que rezava por ti - disse ela, finalmente - de que é que achas que estava a falar?”


“A Bíblia estava ainda aberta na página onde eu interrompera a leitura e, apesar de Jamie estar a dormir, senti necessidade de ler mais um pouco. Acabei por descobrir outra passagem. Era isto que dizia:

Não digo isto como quem manda. mas para provar; comparando-a à dos outros, a sinceridade do vosso amor.

As palavras trouxeram-me as lágrimas de novo e, no momento em que ia começar a chorar, o seu significado tornou-me subitamente claro.
Deus tinha, finalmente, respondido à minha pergunta e, de repente, soube o que tinha a fazer.”

“- Amas-me? - perguntei-lhe.
Ela sorriu.
- Sim.
- Queres que eu seja feliz? - Enquanto lhe fazia a pergunta, senti o coração começar a acelerar.
- Claro que quero.
- Fazes-me um favor, então?
Ela desviou o olhar, a tristeza atravessando-lhe as feições.
- Não sei se ainda consigo.
- Mas se pudesses, fazias?
Não consigo descrever satisfatoriamente a intensidade daquilo que estava a sentir naquele momento. Amor, raiva, tristeza, esperança e medo, redemoinhando juntos, aguçados pelo nervosismo que sentia. Jamie olhou curiosa para mim, e a minha respiração tornou-se mais fraca. De repente, sabia que nunca sentira tanto por uma pessoa como naquele momento. Enquanto a olhava nos olhos, a simples compreensão desse fato fez-me desejar pela milionésima vez poder fazer com que tudo aquilo cessasse. Se tivesse sido possível teria dado a minha vida pela dela. Queria falar-lhe dos meus pensamentos, mas o som da sua voz silenciou subitamente as emoções dentro de mim.
- Sim - respondeu por fim, a voz fraca mas de alguma forma ainda cheia de esperança. - Fazia.
Controlando-me por fim, beijei-a de novo, depois levei a minha mão ao seu rosto, passando ternamente os dedos pela sua face. Maravilhei-me com a suavidade da sua pele, a doçura que vi nos seus olhos. Mesmo naquele momento, ela era perfeita.
Comecei de novo a sentir um nó na garganta, mas como disse, sabia o que tinha de fazer. Já que tinha de aceitar que não estava ao meu alcance poder curá-la, o que queria era dar-lhe algo que ela sempre desejara.
Era o que o meu coração me dissera para fazer há muito tempo.
Jamie, compreendi então, já me tinha dado a resposta de que estivera à procura, que o meu coração precisara de encontrar. Dera-me a resposta quando estávamos sentados à porta do escritório de Mr. Jenkins, na tarde em que lhe fomos falar da peça para os órfãos.
Sorri ternamente, e ela retribuiu o meu afeto apertando-me levemente a mão, como se confiasse em mim e no que eu estava prestes a fazer. Encorajado, inclinei-me para mais perto dela e respirei fundo. Foram então estas as palavras que saíram de dentro de mim.
- Casas comigo?”

“Lembro-me de Jamie a responder afirmativamente à minha pergunta ansiosa e de como ambos começamos a chorar.”

“O meu pai entregou-me a aliança que a minha mãe me ajudara a escolher, e Jamie deu-me uma também. Enfiámo-las nos dedos. Hegbert observou-nos enquanto o fazíamos e, quando, por fim, estávamos prontos, declarou-nos marido e mulher. Beijei Jamie ternamente enquanto a minha mãe começava a chorar, depois segurei a mão de Jamie na minha. Diante de Deus e de todos, prometi o meu amor e a minha devoção, na doença e na saúde, e nunca me senti tão bem em relação a coisa alguma.
Aquele foi, lembro-me, o momento mais maravilhoso da minha vida.”



“O amor é como o vento: Não se vê, mas se sente”.
(Nicholas Sparks)

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